por Rogério Mendes
O Doutor Tetsuo Arakawa estava extremamente ansioso. Estava a um passo de ser reconhecido mundialmente como um dos maiores cientistas de todos os tempos. Em breve seu nome estaria ao lado dos nomes de Bors, Heisemberg, Einstein ou até mesmo Newton! Todo o trabalho de sua vida estava aplicado na forma metálica que aparecia pela escotilha de seus aposentos na estação orbital Acrópolis.
A sua nave.
Na verdade, ela pertencia ao governo, mas desde que desenvolvera a teoria da quantização do espaço-tempo, o Projeto Quantum e construção daquela nave receberam seus esforços em tempo integral. É claro, havia também a equipe de técnicos e engenheiros, mas nenhum deles se envolvera com aquele projeto da maneira como o Dr. Arakawa fizera, e por isso, ele a considerava como sua.
A Juno, como fora batizada, era uma nave de casco cilíndrico, de pouco mais de trinta metros de comprimento, que eram reservados, na sua maior parte, ao módulo de serviço e ao sistema de controle de ambiente e suporte à vida. O espaço para o piloto, o único tripulante, era mínimo. A sua construção levara seis anos e vários bilhões de dólares para ser completada. Agora ela estava pronta e dentro de uns poucos minutos iria desaparecer diante dos olhos incrédulos da humanidade.
Na verdade ela não desapareceria, seria transportada. Era o acontecia com os seus quantizadores do espaço-tempo. Esta seria a primeira vez em que transportariam um ser humano através daquele aparato, e tendo em vista a grande massa da estrutura necessária para tal empresa, ela teria de ser realizada num ambiente de gravidade quase nula, caso contrário o gasto de energia seria proibitivo. Lá estavam eles, então, no espaço.
Aquele dia seria lembrado como o dia em que a humanidade desvendou as bases da realidade. Aquela viagem seria o golpe definitivo no princípio da incerteza, que dizia não ser possível determinar a posição exata de uma partícula no espaço-tempo e a sua velocidade de deslocamento, simultaneamente.
A velocidade de todas as partículas da nave deveria ser minuciosamente calculada e controlada, bem como a posição e o sentido do movimento de cada uma delas, uma vez que, se apenas algumas partículas viajassem com velocidade superior ou inferior a outras, ou num sentido apenas ligeiramente diferente, toda a estrutura se desintegraria. Os críticos e opositores do Dr. Arakawa acreditavam que era isso mesmo que aconteceria à nave, e freqüentemente atacavam-no baseados na acusação de que ele causaria a morte de um ser humano, o piloto, apenas para perceber que as leis do universo há muito estavam estabelecidas, eram imutáveis, e não podiam ser desafiadas inpunemente.
Entretanto, o Dr. Arakawa acreditava que os seus críticos estavam errados, e dentro de pouquíssimo tempo comprovaria que a velocidade da luz pode ser ultrapassada, ainda que subjetivamente. O empuxo utilizado seria apenas o suficiente para levar a Juno e seu tripulante até um pouco além da órbita de Plutão, de onde ele filmaria o planeta, faria uma transmissão de rádio para a Terra e voltaria bem antes da chegada da mensagem. Seria uma viagem interessante. Pouco mais de dois segundos para cobrir aproximadamente quarenta Unidades Astronômicas. A velocidade média seria de aproximadamente dez mil vezes a velocidade da luz, isto é, se o conceito de velocidade pudesse ser aplicado naquele caso, mas não podia. Do ponto de vista do piloto, não haveria sequer deslocamento e os momentos de partir e chegar, se confundiriam num único instante.
É claro que qualquer falha nos sistemas ou nos computadores seria fatal. A nave poderia ser transportada para um ponto muito distante do sistema solar, ser atraída pelo campo gravitacional de algum planeta, entrar em curso de colisão com qualquer corpo espacial, ou simplesmente desintegrar-se. Era isso que preocupava o Dr. Arakawa. Ele estava seguro quanto à comprovação de sua teoria, mas havia milhares de coisas que poderiam dar errado quanto ao funcionamento da nave, e se algo acontecesse, seria o fim de sua carreira e o fim da vida de um jovem que ele mal conhecia. A responsabilidade pela morte de um ser humano seria um peso terrível na consciência do Dr. Arakawa, e agora, essa perspectiva fazia com que a sua ansiedade se tornasse quase insuportável.
Dirigiu-se à ponte de observação da Acrópolis, onde haviam sido instalados os sistemas de controle da missão, e tomou o seu lugar nos preparativos para o lançamento da Juno, que seria acompanhado ao vivo por todas as redes de televisão do mundo inteiro.
Havia muito pouco o que ele pudesse fazer agora, pois os técnicos cuidavam de todos os aspectos operacionais do lançamento, e o Dr. Arakawa suspirou profundamente, imaginando com uma ponta de inveja, como se sentiria o piloto naquele momento.
* * *
Daniel Kauffman considerava-se um homem calmo, mas, naquele momento, calma era a última coisa que passava por sua cabeça. A bordo da Juno, ele esperava ansiosamente pelo término da contagem regressiva de lançamento, imaginando que eles faziam aquilo para enervar os astronautas. Participara de várias missões orbitais durante a construção da estação Acrópolis, mas nunca se acostumara com a contagem regressiva, e a detestava principalmente neste momento, em que todas as partículas do seu corpo, e da nave ao seu redor, estavam para atravessar o que o Dr. Arakawa chamava de “barreira do espaço-tempo”.
Aquela missão seria diferente das outras. Segundo os técnicos do Projeto Quantum, além de não sentir a passagem do tempo, ele não sentiria qualquer efeito da inércia, pelo fato de que todas as partículas de seu corpo, juntamente com as da nave, seriam aceleradas ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, portanto não haveria qualquer desconforto. Pelo menos teoricamente, era o que diziam, e era exatamente toda essa teoria que preocupava Daniel.
Em todo caso, como de costume em viagens espaciais, os computadores estavam monitorando as suas funções fisiológicas e abortariam a missão assim que detectassem qualquer perigo para sua integridade física. O único problema era que, se para ele não existiria a passagem de tempo, tampouco existiria para os computadores, e quando a coisa toda terminasse, talvez fosse tarde demais para qualquer verificação.
Dois segundos, do ponto de vista do controle da missão, e ele estaria em Plutão. Daniel achava incrível imaginar a que distância chegariam se viajassem durante um mês, o que certamente fariam após o estudo de todas as informações que colheriam nesta primeira missão.
- Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve - pensava ele, um tanto preocupado, lembrando-se do antigo seriado de tevê.
* * *
Na hora estipulada, ao fim da contagem regressiva, a Juno fez a sua viagem. Como esperado, não havia nada que pudesse indicar qualquer deslocamento de matéria do lugar onde antes havia uma nave. Para bilhões de espectadores no mundo inteiro, ela simplesmente deixara de existir.
Todos os técnicos, e inclusive o Dr. Arakawa, comemoraram o sucesso do Projeto Quantum, mas isso era apenas a metade da missão. Eles deviam aguardar a volta da nave, que aconteceria dentro em poucos minutos. Todos os sensores da estação orbital foram desviados para o ponto onde ela deveria aparecer, mesmo sabendo que só teriam qualquer confirmação da presença da nave algum tempo depois que ela retornasse.
Contudo, a Juno nunca retornou, e após a sua partida, ninguém jamais conseguiu encontrar qualquer indício de sua presença, em qualquer lugar do universo observável.
* * *
O monitor de vídeo da Juno, que deveria estar mostrando Plutão neste momento, apresentava uma imagem que não podia ser a realidade. Daniel Kauffman verificou todos os sensores da nave e concluiu que estava louco, ou então a nave estava realmente aterrissada em um planeta que possuía as mesmas condições gravitacionais e atmosféricas da Terra.
Após as confirmar as leituras, Daniel programou o envio de uma mensagem periódica de socorro, em todas as direções, esperando que o controle da missão a recebesse e identificasse as coordenadas da sua localização, já que o computador da nave não conseguia definir onde estava. Todos os sensores estavam fora de escala. Daniel sabia que a sua situação era grave. A viagem, segundo os computadores, havia transcorrido conforme as especificações, mas o levara mais longe do que qualquer um poderia imaginar. Alguém havia cometido um terrível erro de cálculo - ele pensava - e quando voltasse, se é que voltaria algum dia, esse alguém pagaria caro por isso.
Talvez fosse um efeito colateral dos campos quânticos aos quais estivera exposto - Daniel pensava - mas ele não se lembrava de ter pousado a nave, e mesmo isso era impossível, pois ela fora construída no espaço e sua estrutura não suportaria a tensão de uma entrada atmosférica.
Era um paradoxo. Se todos os sistemas funcionavam perfeitamente, era impossível que a nave estivesse aterrissada e intactada, e se isso era verdade, como parecia, os sistemas não poderiam estar funcionando corretamente. Daniel sabia que não havia nada que pudesse fazer ali dentro, e decidiu sair da nave, afim de explorar o terreno. Os computadores diziam que o ar do planeta era respirável, e embora ele não mais confiasse naqueles computadores, sabia que o seu suprimento de ar era limitado. Mais cedo ou mais tarde ele teria que se arriscar na atmosfera do planeta, então, decidiu fazer isso de uma vez por todas.
Com cuidado, ele saiu da nave, e lentamente tirou o capacete do traje espacial. Onde quer que fosse aquele lugar, possuía mesmo a gravidade correta e uma atmosfera asséptica, na qual não se podia identificar nenhum cheiro. Não havia nenhum deslocamento de ar e nenhum som. Seu computador de mão dizia que a temperatura ambiente era de exatamente 22º Celcius.
O solo era feito de grãos de areia muito finos e completamente brancos. No céu, também branco e sem nenhuma nuvem, não se podia identificar nenhuma fonte de luz, que sem dúvida era equivalente ao Sol, numa manhã normal da Terra. Deu a volta na nave e não viu qualquer sinal ou marca na areia que sugerisse que a nave houvesse caído. Quando olhou à frente da nave, a uma distância que não podia definir por falta de pontos de referência, viu uma estrutura em forma de cúpula, parecida com um iglu.
* * *
- Seja benvindo Daniel Kauffman - disse o homem que estava à porta da cúpula - Queira me acompanhar, por favor. Eu estava esperando por você.
- Quem é você, ou o que é você, e como sabe o meu nome? - perguntou Daniel, enquanto o acompanhava por um longo corredor, no interior daquele iglu que tinha a altura de no mínimo vinte andares.
Era incrível que naquele lugar, que Daniel já aceitava como sendo um outro planeta, houvessem seres humanos, embora fossem um tanto diferentes. O rosto daquele homem tinha uma expressão de tranqüilidade que Daniel vira poucas vezes durante sua vida, e ele usava uma espécie de macacão branco que só deixava as mãos e a cabeça de fora. Daniel não podia ver as emendas ou costuras daquela roupa.
Os cabelos do homem eram curtos e brancos, embora ele não aparentasse ter mais de trinta anos. Seus olhos, sem íris, tinham a mesma luminosidade daquele lugar. Seus movimentos eram naturais e Daniel sentiu-se à vontade na presença dele. Sentiu que podia confiar naquele homem, apesar de que tudo o estava acontecendo parecia não passar de loucura.
- Eu sou o seu Anfitrião, uma forma antropomórfica criada pelo Modelador para recebê-lo. Sei o seu nome porque assim determinou o Modelador.
- Que tipo de lugar é este, e como vim parar aqui? E quem é esse tal de modelador?
- Você transcendeu os limites do espaço-tempo do seu universo, Daniel. Portanto agora está num lugar fora daquele universo. De maneira que você possa entender, a denominação mais aproximada para este lugar é não-espaço-não-tempo. A última pergunta requer uma explanação um tanto detalhada.
Chegaram a uma sala de estar e Daniel achou muito estranho que ela fosse exatamente igual à sua própria sala, no apartamento que tinha na Terra, antes de se mudar para a estação orbital Acrópolis.
- Sente-se - disse o Anfitrião - Deseja alguma coisa? Talvez uma bebida?
- Sim, obrigado. Cerveja, se você tiver. - Daniel sentou-se olhando a sua volta, enquanto o Anfitrião saía por uma porta que Daniel sabia levar até a cozinha. Tudo era exatamente igual ao seu apartamento, exceto pela cor. Não ia admirar-se se a cerveja também fosse branca.
Quando o Anfitrião voltou, com um copo de cerveja espumante, encontrou Daniel boquiaberto, em pé diante da janela, que estava a uma altura de pelo menos dez andares.
- Como foi que subimos? Eu achei que estávamos no andar térreo! E por que tudo é branco? - perguntou Daniel, bebendo a cerveja branca que tinha exatamente o gosto que deveria ter.
- O Modelador achou que, como este apartamento é uma réplica quase exata do seu, a perspectiva da vista da janela também deveria ser parecida, embora a vista seja completamente diferente. Tudo é branco porque o Modelador assim determinou. Quanto à sua pergunta anterior - O Anfitrião fez um gesto com a mão, para que Daniel se sentasse e fez o mesmo, na poltrona ao lado - eis a resposta.
“Há muito tempo atrás, em uma medida que não faz sentido em seu universo, o Modelador foi criado. Ele era o que você conhece como computador, e foi desenvolvido para que cobrisse todas as possibilidades de uma certa atividade. Descrevendo-o de um modo grosseiro, ele era um aparelho que calculava e imprimia possibilidades.
O seu Criador, que na época interessava-se por aquilo que você conhece como literatura, programou o Modelador para que imprimisse seqüências infinitas de letras de comprimento variável. A cada iteração de um círculo fechado de computação, um certo número de letras era impresso. Desta forma, imaginou o Criador, seriam escritas todas as histórias possíveis e imagináveis, aproveitando-se do fato que para ele, o tempo não tinha razão de ser. Como é dito em seu universo, um número suficiente grande de chimpanzés batendo à máquina de escrever, por um tempo suficientemente longo, poderia reproduzir todas as obras já escritas, e ainda poderia escrever obras inéditas. Fazendo uma analogia grosseira, o Modelador era como um número absurdamente grande de chimpanzés, com muito tempo livre.
Entretanto, logo o Criador percebeu que a grande maioria das histórias não fazia sentido, muitas continham erros graves, algumas ainda tinham pequenas imperfeições, umas poucas continham erros quase imperceptíveis e pouquíssimas eram coerentes. Estas últimas eram as que interessavam.
Então, o Criador desenvolveu o Crítico, um aparato inteligente que acompanharia o trabalho do Modelador, e ao menor sinal de incoerência, abortaria aquela iteração do círculo de programação e passaria para a próxima.
Isso então aconteceu, e foram escritas, analisadas e armazenadas incontáveis histórias, até que a técnica e o gosto do Criador se tornaram mais refinados.
Ao invés de palavras impressas, o Modelador e o Crítico foram reformulados para que manipulassem e analisassem formas e cores em duas dimensões, em combinações infinitas. Assim foi feito e uma quantidade enorme daquilo que você conhece por imagens foi criada, analisada e arquivada.
Seguiram-se, então, várias adaptações ao Modelador e ao Crítico, para que manipulassem imagens e cores em três dimensões, imagens e cores em quatro dimensões, a matéria em três dimensões, a matéria em quatro dimensões - o que no seu universo é conhecido por espaço-tempo - e por fim, a matéria em múltiplas dimensões.
Tudo aquilo que você conhece por realidade é determinado pela lógica da programação infinita do Modelador, e pela aprovação sensata do Crítico.”
Daniel estava perplexo. Teve um acesso de riso histérico, mas parou quando viu que o rosto do Anfitrião continuava sereno como sempre.
- Isso não pode ser verdade! - disse Daniel - Você está me dizendo que esse tal Modelador escreve o livro do destino? De que maneira então teríamos a liberdade de decidir entre o que é certo e o que é errado? Onde estaria o livre-arbítrio nesse mundo que você descreve?
- Não existe tal coisa - disse o Anfitrião - Todos os pensamentos, a duração de todas as vidas, o movimento dos maiores astros, as interações entre as mais ínfimas partículas, tudo é determinado pelo Modelador. Acredite, Daniel, eu não faria melhor analogia: o Modelador escreve o Livro do Destino, por assim dizer.
Daniel sentiu-se muito cansado e abatido, recostou a cabeça na poltrona e desejou que estivesse sonhando, ou que estivesse louco. Porém, em seu íntimo sabia que aquilo tudo era mesmo verdade. Imaginou que o programa do Modelador havia determinado que ele deveria acreditar no Anfitrião, e por isso ele acreditava.
- O que acontecerá com o meu mundo, com meu universo? - perguntou.
- Caso ele seja coerente até o fim de uma iteração do programa, será armazenado para que o Criador possa estudá-lo. Caso contrário, suas partículas serão desintegradas e reintegradas para a próxima iteração.
- E eu poderei voltar para lá?
- Impossível - respondeu o Anfitrião - Isso causaria um contra-senso, uma falta de coerência em seu universo, e ele teria que ser desintegrado. O Crítico zela para que cada iteração seja o mais coerente possível, pois assim o Criador poderá estudá-la.
Daniel imaginou um Criador extremamente velho, magro e curvado, examinando um universo guardado dentro de um pote de biscoitos que ficava na prateleira de cima de um armário de vassouras gigantesco. Imaginou depois, todo um universo sendo desintegrado por causa de alguém que se atirava do alto da Torre de Pizza e caía suavemente, sorrindo numa calçada de Nova Delhi. Nenhuma das duas perspectivas era agradável.
- Então o que aconteceu comigo? Estou fora do espaço-tempo, você disse, certo? Então não sofro a influência do seu Modelador, certo?
- Errado - disse o Anfitrião - Você escapou do seu espaço-tempo, isto não significa que não existam outros, ou que eles não estejam sob o controle e a influência multidimensional do Modelador e do Crítico.
- E agora? O que faremos? - houvesse livre arbítrio ou não, naquele momento, Daniel não sabia mesmo o que fazer.
- Esperaremos pela conclusão desta iteração - respondeu calmamente o Anfitrião, recostando também a cabeça na poltrona - Parece que esse é o começo de uma longa amiz
Atenção: Erro na inserção de cadeia de texto
Atenção: Abortando iteração
Atenção: Iteração abortada
* * *
O Crítico pressionou o botão que determinava a destruição daquela iteração, fez os ajustes das próximas condições iniciais para que o erro fosse corrigido, e pressionou outro botão, que determinava o início da próxima iteração. O Modelador executou sua tarefa, exatamente como vinha fazendo a incontáveis eras, e o Crítico pensou em como o Criador estava certo quando disse que todas as histórias possíveis seriam escritas.
Na opinião do Criador, todas as histórias coerentes eram interessantes, mas na do Crítico, esta última havia sido particularmente interessante. Depois de tanto tempo havia se tornado rotina aceitar o fato de ver representadas coisas improváveis, mas coerentes, nas histórias do Modelador. Porém, durante toda a sua existência, jamais houvera uma representação tão próxima da verdade, inclusive em nomes e conceitos. Pena que aquele pequeno problema com a última palavra tinha posto toda iteração a perder.
É claro que nem todos os conceitos científicos expostos eram aceitáveis, principalmente aqueles referentes à mecânica quântica, mas afinal tudo aquilo tratava-se de ficção, e em todo caso o conserto já fora providenciado. A próxima iteração seria perfeita, e então, arquivada.
Sorrindo, o Crítico pensou em sugerir ao Criador que guardasse a próxima iteração no pote de biscoitos que ficava na prateleira de cima de seu armário de vassouras.
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